Mago
Foi há dez dias.
E só hoje me consegui sentar, ainda que meio em receio sinto-me capaz de te contar.
Já alguém te contou uma história melhor que as tuas?
Dá-me licença Saramago. Que te trate na primeira pessoa, que te conte uma história.
Por onde quer que deambules ouve-me por 2 segundos.
Esta é a história do jovem que não conseguiu escrever.
A história do rapaz que tinha um ídolo.
A história do miúdo que quando soube que ele partiu, paralisou.
E depressa se fez ao caminho para ir beber cervejas e rir com os amigos.
Como uma namorada louca que não aceita o fim da relação.
O jovem fingiu que não era verdade.
Dez dias volvidos o jovem sentou-se e escreveu:
"Há dez dias partiste José, e eu nem me dignei a prestar-te homenagem. Hoje te dedico estas palavras. Em palavras porque é a minha melhor forma de me exprimir. De estar mais próximo de ti.
Há dez dias atrás os livros ficaram abertos.
Ninguém ousou fechar.
Luto literário. Luto completo.
Uma grande percentagem do cérebro de Portugal morreu.
José, não nos deste só conselhos nas tuas diferentes contracapas.
A nós, portugueses com sede de sabedoria… tiraste-nos a cegueira e ofereceste-nos uma jangada para ninguém se afundar.
Promoveste ensaios para ninguém falhar na actuação.
Ninguém perdeu tempo. Todos o ganharam.
Agora todos te agradecem, todos correm às livrarias para te manter vivo.
Pesa-lhes a consciência.
A mim só me pesa o pensamento.
Eu não te apago, não morrerás nunca Mago Saramago."
28/06/10
27/04/10
Mundo moderno
Que saudades queridos leitores. Minhas, claro. Mas admito que, no meio desses milhares de seguidores e fãs que preenchem ao máximo a caixa dos comentários de cada post, um ou outro sentiu necessidade de ler algo. É possível que isso seja verdade. Mas o que é verdade, caríssimos leitores é que eu tinha saudades. Não só deste espaço onde me vou desmontando em pedaços, mas acima de tudo, tinha saudades de ter tempo para me sentar, e escrever. Seja lá o que isso significa, seja um poema bem estruturado, seja um texto do acaso onde inventei sentimentos nunca transcritos.
Como comentava com duas amigas minhas há uns dias, sinto mesmo que vou perdendo a criatividade, o talento de brincar com as palavras, assim como se perde o tacto na ponta dos dedos, quando estes contêm pó. Vejo-me a ser engolido por tudo o que me rodeia, pelas buzinas dos carros, pelo “take care of your belongings” no metro de Lisboa, por tudo o que me faz lembrar que a minha vida é uma rotina entediante e caótica. Enquanto sou sugado por um vulcão citadino, que transpira modernidade e tecnologia, vou convivendo com o realismo e dizendo adeus ao subjectivismo. A informação consome qualquer recanto exótico e abstracto que possuo no meu cérebro, e assim vou respirando e sobrevivendo, entre suspiros e soluços. Sobram-me pequenos momentos de observação e de escuta, onde se aprende muita coisa para além da simples conserva entre idosas, sobre os vícios dos jovens e o estado do tempo.
Resta-me ser capaz de me adaptar a este mundo moderno: ser pró-activo. Na política: marcar um caminho, seguir um rumo com que me identifico. Nos estudos: não permanecer à margem, ser interessado na minha área. Na escrita: tentar não ficar preso a tudo o que é concreto. E é preciso ainda esperar que a vida marque o seu passo, a sua cadência, o seu bater cardíaco. Entretanto mantenho-me vivendo entre mundos que eu próprio designo e que eu mesmo desafio.
[Atenção caros leitores, isto não é uma desculpa para não postar decentemente, com mais regularidade. Eu é que ando mesmo sem inspiração nenhuma para a escrita, mas esperam-se melhores momentos, nem que sejas crónicas de humor ou críticas à sociedade]
Miguel Branco
14/03/10
Explosão
Rastilho aceso. 1,2,3,4,5. Detonação evidente. Diferente. Não como uma explosão normal, onde o barulho rasga os tímpanos, os destroços ferem pessoas, as labaredas tocam o céu com a ponta do nariz. Desta vez o silêncio sobrepõe-se, ninguém é atingido, as chamas não queimam qualquer nuvem.
Não se lêem notícias sobre o acidente, pois este permanece no anonimato. Não posso divulgar, não sei do que se fala. Salvem-me do pó que não me deixa respirar. Enquanto as minhas veias se laqueiam automaticamente e os meus órgãos ficam mais lentos, vejo alguém sentado numa poltrona a escrever o que observa. Revejo-me no reflexo dos seus óculos de sol, assim como vislumbro o que escreve.
“Pobre rapaz, não sabe como escapar a tremenda explosão, não pode dizer nada, por consciência própria, não sai do seu silêncio doentio que lhe fecha os horizontes. Sabe que não pode, que seria ridículo pedir-lhe justificações. A explosão, medrosa e algo vingativa, veio sem avisar. Rebentou por medo, por insistência, por exigência de alma. Liberta-te rapaz e cospe o fogo, o pó e os pedaços que por ricochete te cortaram as artérias. Faz-te um homem e ganha ao tempo”.
Fiquei estático, limpei o lixo dos olhos, sacudi a película de fibra de vidro que enforcava o meu coração e fingi que não explodi internamente. Alguém ouviu alguma coisa?
Miguel Branco
Não se lêem notícias sobre o acidente, pois este permanece no anonimato. Não posso divulgar, não sei do que se fala. Salvem-me do pó que não me deixa respirar. Enquanto as minhas veias se laqueiam automaticamente e os meus órgãos ficam mais lentos, vejo alguém sentado numa poltrona a escrever o que observa. Revejo-me no reflexo dos seus óculos de sol, assim como vislumbro o que escreve.
“Pobre rapaz, não sabe como escapar a tremenda explosão, não pode dizer nada, por consciência própria, não sai do seu silêncio doentio que lhe fecha os horizontes. Sabe que não pode, que seria ridículo pedir-lhe justificações. A explosão, medrosa e algo vingativa, veio sem avisar. Rebentou por medo, por insistência, por exigência de alma. Liberta-te rapaz e cospe o fogo, o pó e os pedaços que por ricochete te cortaram as artérias. Faz-te um homem e ganha ao tempo”.
Fiquei estático, limpei o lixo dos olhos, sacudi a película de fibra de vidro que enforcava o meu coração e fingi que não explodi internamente. Alguém ouviu alguma coisa?
Miguel Branco
11/03/10
Lê o jornal. Consome os títulos. Mastiga as notícias. Cospe o acessório. Recorta. Cola. Pára. Inventa.
Gostava que o Word guardasse um histórico das tentativas que já fiz para dar continuidade a este primeiro parágrafo. Não as considero infelizes, mas sim inadequadas. Processos criativos que não mereceram divulgação, talvez por serem demasiado pessoais, talvez por serem demasiado abstractos. Talvez ainda, por serem, isso sim, pedaços de folhas digitais escritas e rasuradas e reescritas e queimadas por fim.
Muitas como esta, pobre coitada, tiveram o azar de ser publicadas. Acusadas de não terem espontaneidade, de serem cópias daquelas de que todos ansiavam e de aparecerem sob a forma de desabafo forçado. São vítimas dos avanços e retrocessos do seu fugaz criador. Durmo em paz, porque sei que são das tentativas de escritas mais compreensivas que alguma vez encontrei. Perdidas na Baixa, ao som de uma guitarra que propagava melancolia, através de solos antigos de Pink Floyd.
Encontrei-vos e perdi-vos a seguir. Reconheci uma cara conhecida que se dirigiu a mim:
- Nunca mais soube nada de ti…
- Nem eu…
Miguel Branco
Gostava que o Word guardasse um histórico das tentativas que já fiz para dar continuidade a este primeiro parágrafo. Não as considero infelizes, mas sim inadequadas. Processos criativos que não mereceram divulgação, talvez por serem demasiado pessoais, talvez por serem demasiado abstractos. Talvez ainda, por serem, isso sim, pedaços de folhas digitais escritas e rasuradas e reescritas e queimadas por fim.
Muitas como esta, pobre coitada, tiveram o azar de ser publicadas. Acusadas de não terem espontaneidade, de serem cópias daquelas de que todos ansiavam e de aparecerem sob a forma de desabafo forçado. São vítimas dos avanços e retrocessos do seu fugaz criador. Durmo em paz, porque sei que são das tentativas de escritas mais compreensivas que alguma vez encontrei. Perdidas na Baixa, ao som de uma guitarra que propagava melancolia, através de solos antigos de Pink Floyd.
Encontrei-vos e perdi-vos a seguir. Reconheci uma cara conhecida que se dirigiu a mim:
- Nunca mais soube nada de ti…
- Nem eu…
Miguel Branco
28/02/10
Crónica - 26 de Fev
Esta crónica foi feita na aula de Laboratório de Géneros Jornalísticos decidi publicá-la porque já não escrevia no blog há algum tempo. Ironia pura. Espero que gostem.

Contudo consegue-se sempre espaço para um fenómeno fascinante que ocorre há algum tempo no preâmbulo político português. Se estava a pensar na fantástica oratória da Dr.Manuela Ferreira Leite, peço desculpa caro leitor, mas não acertou. O que me leva a escrever hoje é a forte liderança e união que o Partido Social-Democrata (PSD) tem demonstrado recentemente.
Ora vejamos, depois da inocente e humilde saída de Durão Barroso para o parlamento europeu, o PSD só viveu momentos de glória e sucesso político. Santana-Lopes trouxe a rebeldia e a legislatura mais longa de sempre, bem como solidificou o bom ambiente vivido no partido, e para quê realçar a digna e saudável “luta de cães” de Marques Mendes e Luís Filipe Menezes?
A grande questão é: quem prosseguirá este pacífico caminho de progresso sobre a esquerda? Três nomes surgem nesta longa-metragem – Pedro Passos Coelho (parece que já ouvi este nome em algum lado), José Aguiar-Branco (e aqui vai outro) e Paulo Rangel. Estranhou não ter feito nenhum à parte para este último? Não o fiz exactamente porque considero que o próprio não merece qualquer tipo de apresentações. Alguém que no Parlamento Europeu afirma que Portugal já nao é um Estado de direito...merece todo o respeito do mundo, mais, da Europa.
Este senhor de pequeno porte achou por bem denunciar a campanha que o Governo anda fazer contra os meios de comunicação social, aliás se fosse eu faria o mesmo, até porque se não fosse o PSD, bem estruturado e organizado, a lutar pela liberdade de imprensa, estaríamos nas ruas da amargura. Parabéns Paulo Rangel, obrigado PSD por serem tão magros que nem para o próprio umbigo conseguem olhar. Quem será o próximo a liderar este grande partido? Venha o diabo e escolha. Ai Paulinho Paulinho, se tivesses um telejornal à sexta à noite...
Obrigado PSD!
No meio de tantos escândalos políticos e económicos que assolam o nosso país, há algo, que muito sinceramente, me causa bastante mais confusão. Está certo que estes casos sucessivos: das escutas, da tvi, do freeport não dão aso a que se publique e se comente muito mais (sem falar obviamente da qualidade de jogo do sporting).
No meio de tantos escândalos políticos e económicos que assolam o nosso país, há algo, que muito sinceramente, me causa bastante mais confusão. Está certo que estes casos sucessivos: das escutas, da tvi, do freeport não dão aso a que se publique e se comente muito mais (sem falar obviamente da qualidade de jogo do sporting).
Contudo consegue-se sempre espaço para um fenómeno fascinante que ocorre há algum tempo no preâmbulo político português. Se estava a pensar na fantástica oratória da Dr.Manuela Ferreira Leite, peço desculpa caro leitor, mas não acertou. O que me leva a escrever hoje é a forte liderança e união que o Partido Social-Democrata (PSD) tem demonstrado recentemente.
Ora vejamos, depois da inocente e humilde saída de Durão Barroso para o parlamento europeu, o PSD só viveu momentos de glória e sucesso político. Santana-Lopes trouxe a rebeldia e a legislatura mais longa de sempre, bem como solidificou o bom ambiente vivido no partido, e para quê realçar a digna e saudável “luta de cães” de Marques Mendes e Luís Filipe Menezes?
A grande questão é: quem prosseguirá este pacífico caminho de progresso sobre a esquerda? Três nomes surgem nesta longa-metragem – Pedro Passos Coelho (parece que já ouvi este nome em algum lado), José Aguiar-Branco (e aqui vai outro) e Paulo Rangel. Estranhou não ter feito nenhum à parte para este último? Não o fiz exactamente porque considero que o próprio não merece qualquer tipo de apresentações. Alguém que no Parlamento Europeu afirma que Portugal já nao é um Estado de direito...merece todo o respeito do mundo, mais, da Europa.
Este senhor de pequeno porte achou por bem denunciar a campanha que o Governo anda fazer contra os meios de comunicação social, aliás se fosse eu faria o mesmo, até porque se não fosse o PSD, bem estruturado e organizado, a lutar pela liberdade de imprensa, estaríamos nas ruas da amargura. Parabéns Paulo Rangel, obrigado PSD por serem tão magros que nem para o próprio umbigo conseguem olhar. Quem será o próximo a liderar este grande partido? Venha o diabo e escolha. Ai Paulinho Paulinho, se tivesses um telejornal à sexta à noite...
Miguel Branco
17/02/10

Agora que já passou a euforia inicial da criação do blog, onde escrevo todos os dias com inúmeras ideias e motivações, procuro temas para deixar uma nova mensagem. Obrigando-me a escrever, para dar asas à minha escrita, para me libertar do que vou escrevendo na minha mente, sem que o ponha em papel.
Imagino se houvesse um aparelho que reproduzisse tudo o que penso, raciocínios que construo, metamorfoses pensativas nuas de preconceitos, onde tudo é dito e pensado e sentido, sem que o senso comum me cortasse o politicamente correcto. Quando penso, posso pensar, não me justifico a ninguém (sem ser a mim próprio), não oiço vozes humanas a chamarem-me à razão, a matarem-me a liberdade. Se é isso que faz de mim o ser creativo e bem disposto que sou - visto que muitas vezes exponho aquilo que penso e não posso dizer - é também um dos meus maiores problemas. Vai-me consumindo, desconcentrando, vai fazendo do meu corpo pensamento, alastrando da cabeça para o resto do corpo. Torno-me pensamento em forma humana, não que isso faça de mim um ser de elevada intelectualidade, mas sim uma folha cujas linhas são preenchidas com letra de médico, sem que a grande maioria das pessoas leia o que estou a sentir. Só conseguem ler que estou efectivamente a pensar, não aquele pensar comum de todo o ser humano, mas o pensar profundo, de retirar ilações e possíveis conclusões ou premissas. Possíveis, quando são possíveis.
Quem me dera, por vezes, poder não pensar. Para não ter vontade de explodir e comigo arderem todas as folhas arquivadas do meu registo de pensamentos.
Miguel Branco
12/02/10
Post 3 (não leiam)

Boa noite, sabem aqueles dias tão característicos em que acordamos de manha e sentimos que nascemos para dizer piadas sem piada nenhuma e que por isso mesmo achamos que tem piada, mas no fundo não tem piada nenhuma? Eu hoje tive um dia assim, e como foi bom senti-lo de novo. Não que fosse novidade na minha vida, mas já nao tinha um dia destes há bastante tempo. E sabem que mais? é espectacular, saber que as pessoas se riem ou de cansaço ou de pena, de tanta merda que sai da nossa boca. Sei perfeitamente o que estão a pensar neste momento, o rapaz sensível que vos deu textos tão poéticos nos 2 posts anteriores está agora aqui armado em campeão a dizer piadas. Mas não, simplesmente quando o cansaço é tanto que já nada flui na cabeça, ou pior, quando isso acontece desde que acordamos, o melhor é tar calado e deixar algo de alguém que é como o algodão, não engana.
"Para compreender, destruí-me. Compreender é esquecer de amar. Nada conheço mais ao mesmo tempo falso e significativo que aquele dito de Leonardo Da Vinci de que não se pode amar ou odiar uma coisa senão depois de compreendê-la.
A solidão desola-me, a companhia oprime-me. A presençaa de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir." - Fernando Pessoa
Miguel Branco, kiss
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